Mais de quatro anos após a reabertura das escolas, o sistema educacional brasileiro ainda enfrenta dificuldades para recuperar os níveis de aprendizagem observados antes da pandemia de Covid-19. Pesquisas recentes apontam que os estudantes da educação básica seguem com defasagens significativas em leitura, escrita e matemática, especialmente nos primeiros anos do ensino fundamental.
Os dados revelam que, embora a frequência escolar tenha voltado ao normal, o rendimento dos alunos não acompanhou o mesmo ritmo. Na prática, isso significa que muitos estudantes avançaram de série sem dominar os conteúdos essenciais, o que compromete o desempenho nas etapas seguintes da vida escolar.
Especialistas em educação afirmam que o período de ensino remoto aprofundou desigualdades já existentes. Enquanto algumas redes conseguiram manter atividades online com apoio tecnológico e acompanhamento familiar, outras enfrentaram falta de acesso à internet, evasão e dificuldades na retomada da rotina escolar.
“A pandemia escancarou o quanto a escola é insubstituível na formação das crianças e adolescentes. O aprendizado não depende apenas do conteúdo, mas da convivência, da mediação do professor e do ambiente de troca”, explica a pedagoga Luciana Mendes, pesquisadora da área de políticas públicas educacionais.
Programas de recuperação de aprendizagem vêm sendo implementados em diferentes estados e municípios, mas os resultados ainda são lentos. Em Santa Catarina, por exemplo, a Secretaria de Estado da Educação tem investido em projetos de reforço e tutoria, priorizando alunos com defasagem de leitura e raciocínio lógico. No entanto, o desafio é grande: reconstruir a base de aprendizagem exige tempo, continuidade e investimento em formação docente.
Outro ponto de alerta é a desmotivação estudantil. Pesquisas mostram que o desinteresse pela escola aumentou no período pós-pandemia, o que tem impacto direto na permanência e no rendimento dos estudantes. “Não basta recuperar conteúdo, é preciso recuperar o sentido da escola na vida do aluno”, reforça Luciana.
Enquanto o país avança lentamente na reconstrução do ensino, educadores destacam que a pandemia deixou uma lição clara: garantir a aprendizagem de qualidade deve ser prioridade nacional, e não apenas uma meta numérica em avaliações.

