Mulheres surdas poderão contar com recursos de acessibilidade durante consultas e exames, tanto na rede pública quanto na rede privada de saúde. É o que prevê projeto apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), assegurando a presença de intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outros meios de apoio à comunicação.
A proposta tem como objetivo garantir a participação plena dessas mulheres durante o atendimento médico, promovendo autonomia, segurança e dignidade. A comunicação eficaz entre paciente e equipe de saúde não é apenas um detalhe: é condição essencial para diagnósticos precisos, compreensão do tratamento e cuidado verdadeiramente humanizado.
Dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil possui cerca de 2,6 milhões de pessoas com dificuldade para ouvir, mesmo utilizando aparelhos auditivos. Esses números evidenciam a urgência de políticas públicas que garantam acessibilidade comunicacional, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
Segundo a senadora, a iniciativa representa uma defesa concreta da dignidade humana:
“Estamos falando de salvar vidas, de garantir que o atendimento de saúde seja humano de verdade. A nossa luta é por dignidade e por respeito a cada mulher deste país.”
De acordo com estudo da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado, encomendado pela parlamentar, caso a proposta seja aprovada, o investimento estimado para assegurar recursos de acessibilidade, tecnologias assistivas e apoio à comunicação será de pouco mais de R$ 2 bilhões a cada três anos.
Como estudante de Letras Libras, compreendo que a acessibilidade comunicacional não é um privilégio — é um direito. Garantir intérprete de Libras na área da saúde significa promover autonomia, prevenir erros médicos, reduzir riscos e, acima de tudo, respeitar a identidade linguística da pessoa surda.
Iniciativas como essa fortalecem o compromisso com uma sociedade mais inclusiva, onde ninguém seja silenciado pela falta de acesso à comunicação.

